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Pensar em pedagogia é basicamente pensar em escolas, aprender, ensinar. Aprender e ensinar, aprender o quê? Ensinar como?  E por que aprender algo de determinada maneira? A aprendizagem não é de modo algum uma atividade de via única, seus efeitos podem ser os mais diversos, dependendo de quem receberá essa educação, como receberá e responderá à ela. Partindo das variadas práticas pedagógicas que existem hoje em dia, diante das diversas escolas que seguem variadas metodologias de ensino, parece um pouco difícil chegar a uma conclusão quanto a qual seria a mais “correta”. A princípio, seria muito intuitivo dizer que a educação tradicional com certeza não funciona e precisa ser mudada. De fato, há muitos problemas com o sistema tradicional de ensino, porém, às vezes, todas as formas inovadoras de educação são tomadas num bloco único e simplesmente nomeadas como algo que foge o tradicional, o que faz com que suas particularidades sejam esquecidas ou neutralizadas diante de uma visão tão geral. Não existe apenas um modo de abordar a educação, sendo essa uma questão que dá espaço para muitas particularidades, com diferenças de metodologia, ideologia, papel do professor e do aluno e foco de abordagem.

 

De tal modo, é importante observar que é muito comum que as escolas não se mantenham estritamente presas a um só método, como a uma ideologia inabalável. Por exemplo, há escolas que se mantêm fiéis ao método tradicional em relação à maneira como as aulas são conduzidas, mas que ainda assim tentam dar algum espaço à voz do aluno, mesmo que não seja esse o foco pedagógico. Diversas outras “combinações” são possíveis e isso é um fator que deve ser considerado a partir da intenção de cada um diante do processo de aprendizagem; do mesmo modo que as escolas podem tentar dar diferentes perspectivas para o ensino a partir de focos variados, não são todos os alunos que querem aprender da mesma maneira, com as mesmas intenções. É, ainda, importante lembrar que todas escolas devem sempre seguir a Base Nacional Curricular Comum (BNCC), portanto, o argumento de que escolas não-tradicionais não conseguem cumprir o papel escolar básico deve ser repensado. Algo que pode, de fato, variar é a preferência por uma abordagem mais teórica ou prática, individual ou coletiva, mas não a base curricular.

 

De maneira mais direta, seria interessante comentar sobre três linhas pedagógicas que se destacam atualmente no Ensino Médio, sob a ótica da metodologia de ensino, relação professor-aluno e método de avaliação.

 

Primeiramente, temos a pedagogia tradicional, na qual o foco são os conteúdos padronizados. As matérias dadas em sala de aula possuem muito conteúdo a ser visto de modo aprofundado, passados por professores que são autoridade na sala de aula. Nesse contexto, os alunos devem absorver esses conteúdos para serem avaliados posteriormente por meio de um sistema de exames e notas. Já no caso da pedagogia humanista, o enfoque é o desenvolvimento pessoal dos alunos, de modo que os conteúdos devem ser aprendidos de maneira mais independente, sendo o professor um agente de estímulo para o conhecimento, alguém que vai dar assistência para o autodesenvolvimento do estudante. A avaliação é feita pelo próprio aluno, que deve ser capaz de avaliar se seu conhecimento é suficiente ou não para avançar nos estudos. A pedagogia humanista pode, muitas vezes, ser vista como algo genérico para se referir à educação inovadora, mas difere, por exemplo, da pedagogia cognitivista, a qual também seria considerada como uma educação inovadora. Na pedagogia cognitivista o foco é o desenvolvimento do aluno dentro de um grupo, a ação individual combinada à sua inserção na coletividade diante de situações de desequilíbrio. Nela, o professor age de modo a propor problemas a serem resolvidos pelos alunos por meio dos conteúdos expostos, aplicando-os de maneira prática, sendo a avaliação realizada a partir da desenvoltura do aluno em utilizar seus conhecimentos e lidar com as diversas situações.

 

De modo geral, nota-se que o que varia de um método para o outro é a maneira como são tratadas as questões humanas, a individualidade do aluno, a visão sobre aprofundamento e abordagem dos conteúdos da BNCC. Cabe, então, aos alunos e pais decidirem se a escola na qual se estuda atende às suas prioridades ou não. Pensando no lado mais prático, quanto à função da escola - pelo menos quanto ao que é mais valorizado no senso comum - como base para entrada na universidade, parece claro que seja mais eficiente a adoção da pedagogia tradicional, afinal, é nela que é baseado o vestibular. No entanto, o problema não está na existência da escola tradicional, a mais comum no Brasil, mas sim nas exigências do ingresso para o Ensino Superior, que levam a uma hesitação frente a outras pedagogias, deixando essas novas possibilidades como algo secundário ou nunca utilizado.

 

Com relação às escolas públicas brasileiras, é sabido que a sua maioria dá prioridade à pedagogia tradicional. Porém, há iniciativas como o Projeto Âncora e a Escola Nave, que têm abordagens humanista e cognitivista, respectivamente. Infelizmente, ainda são pouquíssimas as escolas públicas que se afastam da pedagogia tradicional, o que impossibilita colocar a escolha do foco pedagógico como uma escolha de fato para todos os alunos, o que acaba por elitizar a diversidade pedagógica e restringir o contato dos estudantes com outras possibilidades de educação. Tal situação reflete um ciclo no qual o ingresso no Ensino Superior Público exige um aprofundamento muito grande em cada conteúdo teórico, o que muitas vezes pode não ser possível em escolas não-tradicionais.

 

Todo o processo educacional age como um todo, desde o ensino fundamental até a pós-graduação, mestrado etc. Nenhum aluno é igual ao outro e nem todos os estudantes conseguem ter o seu melhor desenvolvimento com a mesma metodologia, então por que a escola continua sendo vista como um lugar que deve seguir sempre os mesmo pré-requisitos como algo infalível e ideal?

 

Bibliografia:

 

https://educacao.uol.com.br/noticias/2009/08/25/linhas-pedagogicas-veja-como-elas-funcionam-e-qual-tem-mais-a-ver-com-seu-filho.htm

 

https://pedagogiaaopedaletra.com/abordagens-pedagogicas-de-ensino-tradicional-comportamentalista-humanista-cognitivista-sociocultural/

 

https://youtu.be/kE6MlnwML8Y

 

https://youtu.be/c1gYpLIoYis