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Qual o papel da escola, afinal?

August 5, 2015

 

 

No primeiro semestre do ano começou uma campanha muito importante nas redes sociais, que, através da #nãoénormal, tentava falar sobre a pressão enfrentada por universitários num ambiente excessivamente exigente, no qual os limites psicológicos dos alunos são colocados à prova, podendo chegar ao desenvolvimento de doenças psicológicas. O que é mais interessante é como esse assunto começou a repercutir tanto apenas este ano, depois de quase 200 anos de Universidade. Uma ideia de Universidade baseada no ideal de  funcionar como meio de produção científica, onde sempre houve a expectativa do padrão de aluno que consegue ir além de seus próprios limites; mas até agora poucos tinham pensado neste fato como possível causador de efeito colaterais terríveis. E parte dessa expectativa, a qual vem tanto da Academia quanto de quem nela quer ingressar, já é criada ao longo de anos, durante o período escolar; a formação escolar pode ter papel relevante ao olhar para o que pode vir nos anos seguintes.

 

No período do Ensino Médio, principalmente, a competitividade é ou vista como se não fosse notada, ou até mesmo procurada. Toda a lógica do funcionamento escolar se baseia num desejo de criar alunos capazes de um bom desempenho em provas específicas. Há um padrão a ser seguido, um nível de desempenho a ser atingido, e esse nível precisa ser alto, porque é ele que vai garantir o ingresso no Ensino Superior, onde a exigência será maior ainda. Na realidade, o nível exigido pelas escola é alto, e ainda assim os alunos parecem não estar preparados quando chegam à Universidade. Isso pode ser pelas novas necessidades de uma nova etapa. Depois da escola, as responsabilidades expandem-se para além dos estudos, há ainda trabalho, desenvolvimento profissional e vida pessoal que passa por mudanças, a escola não consegue preparar os alunos para isso.

 

As escolas estão tão presas à parte mais mecânica do sistema educacional, que perdem a oportunidade de criar as “tais” das pessoas. Seria possível dizer que a padronização do conhecimento exigida pelas escolas age de modo análogo à padronização do mundo profissional, mas isso não tira a contribuição da escola para a criação de uma sociedade mais competitiva. As escolas mais renomadas do Brasil são aquelas nas quais os alunos disputam por nota, não ajudam os colegas de classe porque se ajudarem alguém com suas dificuldades, esse alguém pode continuar na “sala boa” enquanto aquele que ajudou pode não conseguir chegar no nível esperado e vai para a “sala pior”. A lógica de cursinhos que dão bolsas para quem é “bom”, ainda que não “bom o suficiente” para entrar na Universidade (Pública). E ainda assim a escola não consegue criar indivíduos emocionalmente preparados para enfrentar tudo o que pode vir com a vida pós-escola.

 

As escolas acabam por simplificar a abrangência do ensino à medida que a exigência dos vestibulares aumenta. Alunos aprendem a fazer equações sem saber para que elas funcionam, querem entrar na Universidade sem saber o que esperar realmente. A escola aos pouco perde o seu papel formador e passa a ser um preparador para o mercado, um mercado muito simplificado. Os alunos não conseguem gerar um senso de questionamento, uma habilidade de ver o que é necessário no mundo ao seu redor, uma vontade de trabalhar para gerar mudanças positivas. Essa consciência maior acaba, muitas vezes, por nascer justamente na Universidade, quando toda a mecanização do ensino passa a poder ser um incômodo pessoal ou visto como algo a ser superado, não simplesmente algo a ser aceito e ao qual é necessário adaptar-se.

 

O nível exigido pelas escolas é irreal e a competição gerada por isso é desnecessária porque inútil. Não é como se a escola fosse um real preparador para o que os alunos encontrarão no “mundo real”, é uma triagem que não qualifica ninguém para a vida universitária, da mesma forma que as Universidades não preparam seus alunos para a realidade do mercado de trabalho. É uma série de processos educativos que não conseguem (trans)formar essencialmente a única coisa que é invariavelmente a prova de erros: indivíduos pensante, capazes de superar dificuldades individual e coletivamente, além de criar seus próprios limites.  

 

Fontes:

 

https://gestaoescolar.org.br/conteudo/977/refletindo-sobre-a-competitividade

http://www.estadao.com.br/noticias/geral,competitividade-na-escola-e-criticada-imp-,737035

 

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