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Conectando a educação

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Discutir o uso de recursos digitais para auxiliar o processo de educação pode parecer um assunto um tanto antigo, mas esse tópico continua ainda muito importante e, justamente por dizer respeito a algo tão presente na vida todos, vale refletir sobre alguns aspectos ligados a ele. Tendo em mente o uso de tecnologias na escola, o mais automático é pensar que incorporá-las ao ambiente escolar significa também que o método escolar precisa desviar-se um tanto do tradicional. Isso não é necessariamente verdade. Cada vez mais escolas incorporam as tecnologias na sala de aula, mas isso pode tanto significar uma tentativa de dinamizar as aulas quanto dar outra cara à metodologia tradicional. Mesmo no último caso, para que a tecnologia seja de fato relevante no contexto educacional é essencial que os professores tenham preparo para adaptar os novos meios a uma linguagem que seja interessante para os alunos. Ainda que partindo do método tradicional, simplesmente recriar um livros didático na tela do computador não é exatamente a proposta da incorporação da mídia na escola.

 

Há, implicitamente, o princípio de que o uso da tecnologia no processo de aprendizagem não pode se dar de modo arbitrário, e existe, é claro, a necessidade dos equipamentos que possibilitariam o seu uso. Desta maneira, há uma questão: será a incorporação de tecnologias na escola uma forma de democratizar a educação, ou mais uma barreira na igualdade entre os ensinos público e privado? O fato é que a tecnologia tem inquestionavelmente o poder de deixar o acesso à educação à disposição de todos, através de canais gratuitos, ainda que nem todos o sejam. Existe hoje uma quantidade enorme de pessoas trabalhando exclusivamente com internet e produzindo conteúdos que estão disponíveis a qualquer pessoa. Mas utilizá-los da melhor maneira possível não é algo garantido.

 

O papel da escola nessa inovação é criar interesse nos alunos através de conteúdos modernos, que se adaptem para chamar a atenção deles, independentemente do que está sendo ensinado, seja uma fórmula de física ou métodos de desenvolvimento pessoal. Daí surge a possibilidade de maior autonomia dada aos alunos para que possam se aprofundar em assuntos que lhe interessem mais, achar formas mais efetivas de estudar temas com os quais não têm muita intimidade - o que chega, inclusive, a ser citado no manual lançado pelo MEC para o Programa Novo Mais Educação. E isso é muito mais poderoso quando parte da própria escola, quando os alunos possuem um bom direcionamento e conseguem usar de modo mais efetivo aquilo com o que podem ter contato em casa; podem aproveitar melhor o seu tempo se tiverem orientação. Portanto, os professores devem estar preparados para criar tanto o interesse quanto maneiras de guiar os alunos. Também há muitas possibilidades, que se concretizam, das escolas produzirem o seu próprio conteúdo digital para consumo de alunos e professores, o que pode ser muito proveitoso quando bem feito.

 

Por outro lado, cresce a tendência dos alunos que percebem a capacidade de buscar por materiais em casa e que conseguem utilizá-los de modo autônomo. Isso é muito mais comum quando os alunos estão no Ensino Médio, na época do vestibular, mas e todo o desenvolvimento que pode acontecer nos anos anteriores? Os alunos precisam de incentivos para que consigam usar o que possuem ao seu redor para ajudá-los no desenvolvimento individual. A tecnologia está cada vez mais presente no dia-a-dia de todos. É essencial que esteja também no ambiente escolar público, até mesmo porque, ainda hoje, nem todos conseguem ter acesso ao meios digitais, e num momento em que os ambientes de trabalho exigem contato com conhecimentos de computação, não ter contato com eles pode ser fator decisivo para deixar alguém para trás e fora de um emprego, limitando suas oportunidades profissionais.

 

Aí entra um ponto socialmente relevante. Observando a infraestrutura do sistema público de ensino escolar, não são raras as escolas nas quais faltam materiais básicos como carteiras, giz, papel e caneta. O que pensar, portanto, a respeito dos materiais tecnológicos, que exigem manutenção regularmente? E sobre a preparação dos professores? É importante que a escola os prepare para lidar com os materiais de modo adequado, mas se pensa nisso num mesmo contexto de escolas sem professores. O auxílio do materiais tecnológicos pode ser extremamente efetivo, pode gerar um entendimento mais rápido e alunos mais preparados para os próximos passos de sua educação e vidas profissionais. E justamente por isso poderia ser mais um ponto para aumentar as diferenças do nível curricular atingido por alunos de escolas públicas e privadas. Esse fato, no entanto, não condena o uso de tecnologias na escola - ao mesmo tempo a tecnologia pode ser justamente uma solução quando há alunos com vontade de aprender, ainda que seja necessário terem acesso a computadores – a situação apenas exige que seja um ponto ao qual se preste mais atenção, e pede um desenvolvimento e investimento condizente.

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