Uma Escola em Movimento

Marcia Braghini Deu é Mestre em Educação pela PUC SP, Pedagoga, Psicopedagoga e Coach pela SLAC ( Sociedade Latino Americana de Coaching). Tem mais de 30 anos de experiência na área educacional, como professora, coordenadora pedagógica, orientadora educacional, diretora escolar, professora universitária e consultora em escolas de ensino básico. Ela é autora do livro Uma Escola em Movimento: conversas de uma diretora.


"... fui instigada, cutucada, incomodada, provocada de todas as formas a não apenas pensar, mas realmente a refletir de forma crítica: Porque tenho uma escola? O que quero fazer na nossa escola? O que eu quero que aconteça nela? Que tipo de aluno eu tenho e que tipo de aluno eu quero formar? Aonde eu quero chegar? Como 'posso' transformar nossa escola em uma ‘nova escola’? Sim, eu posso! E eu quero! Quero que nossa escola tenha sentido para as crianças e para os jovens que nela estudam”.

O trecho acima é um de vários que descrevo em meu livro “Uma Escola em Movimento: conversas de uma diretora,” em que conto a experiência, as dores e os sabores de uma escola de quase 30 anos rompendo com a lógica de um ensino tradicional para se tornar uma escola de práticas pedagógicas inovadoras. A Escola Monteiro Lobato, localizada na cidade de Diadema, estado de São Paulo.


Sair da zona de conforto, inovar, transformar e revolucionar o processo educativo sempre foram meus ideais. Como diretora constantemente busquei romper com o ensino tradicional e rígido onde o professor é o centro do processo ensino-aprendizagem, incentivando e estimulando os professores a fazerem da prática docente uma ação inovadora, utilizando metodologias que hoje são chamadas de ativas, colocando os alunos como protagonistas. Mas, entendi que isso não estava bastando, nenhuma mudança era realmente forte o suficiente para romper com o protagonismo do professor.


A frustração em me deparar com resultados avaliativos os quais mostravam os melhores alunos ainda sendo bons e os “piores” alunos não saindo do lugar, só crescia dentro de mim. Uma escola nova era uma questão de equilíbrio emocional para que eu pudesse continuar.


E foi então que, em 2014, eu resolvi “virar a mesa”, propondo o rompimento da lógica da rotina diária de professores e alunos dos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio, ancorada nas teorias da Pedagogia de Projetos e na proposta da Escola da Ponte, de Portugal.

Um processo coletivo e cooperativo de ruptura e mudança, que exigiu de mim e da minha equipe muito estudo, reflexões, discussões, desconstrução e reconstrução de ideias, teorias, opiniões, paradigmas, práticas, sentimentos… Uma nova identidade profissional de cada educador envolvido e uma nova identidade dos alunos foi se forjando desde 2015 até os dias atuais, transformando a Escola Monteiro Lobato numa instituição realmente inovadora.


Mas como essa prática acontece no dia-a-dia?

Os alunos das séries finais do ensino fundamental e do ensino médio têm seis aulas diariamente. Três dessas aulas são denominadas “aulas integradas”. Nelas acontece o trabalho com projetos.

Neste trabalho, os alunos de diferentes séries se organizam em equipes de no máximo cinco componentes e trabalham juntos estudando e resolvendo tarefas contidas em um Plano de Ação com proposta interdisciplinar. Esses grupos podem conter alunos das três séries do ensino médio, ou de todas as séries finais do ensino fundamental.

Os temas dos Projetos e as tarefas dos Planos de Ação podem ser criados pelos alunos ou pelos professores. Alguns Projetos têm a duração de 15 dias, outros de 1 trimestre. Alguns projetos são propostos para os alunos escolherem qual desejam fazer.

Um exemplo de projeto: Estudo sobre o coronavírus envolvendo tarefas de: ciências (diferenças entre vírus e bactéria; características do vírus que transmite a doença, efeitos no corpo humano,…); história (estudo histórico de outras doenças epidemiológicas no Brasil e no mundo; Revolta da Vacina,...); matemática (interpretação de gráficos que mostrem a evolução da doença ao longo dos meses; resolução de situações-problemas envolvendo o assunto, …); português (leitura, interpretação de notícias e a elaboração de textos sobre o assunto; fake news,...); geografia (processo de urbanização e a proliferação de doenças transmitidas por vírus; cartografia,...).

A prática pedagógica precisa de sentido e intencionalidade

Hoje, em tempos de pandemia, que o ensino se tornou 100% remoto, constatamos que realmente, preparamos os alunos para a vida. Estamos deixando de legado uma geração com maior autonomia e corresponsabilidade na construção da própria aprendizagem, com expressão escrita e oral aprimoradas, ampliação de vocabulário e aprofundamento de conhecimentos num processo de aprendizagem realmente significativa, com maior senso de colaboração e cooperatividade. Isso, citando apenas alguns aspectos.

Compreendemos como as mudanças provocadas na rotina escolar permitiram e continuam permitindo transformações no processo de ensino e aprendizagem tanto do aluno, quanto dos professores.


Somos uma escola que sonha em se reinventar continuamente.

Somos uma escola em movimento!


E se você acredita que a educação inovadora é urgente, converse comigo e te mostro na prática que também é possível.


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*Deu, Marcia Braghini. Uma Escola em Movimento: conversas de uma diretora. 1ª ed. – Maringá: Viseu, 2018.




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