Ansiedade dos professores no ambiente escolar




A ansiedade e os transtornos de ansiedade são um conjunto de sentimentos marcados pela preocupação excessiva, nervosismo, medo intenso ou constante de que algo negativo vai acontecer. Alguns desses sentimentos, quando passam a atrapalhar de forma significativa o nosso dia a dia, podem vir a se tornar um distúrbio e ocasionar problemas psicológicos e físicos.


No ambiente escolar, os professores diariamente precisam controlar suas emoções e se manter firmes em alguns casos para comandar a situação diante da turma. Entretanto, há muitas situações que causam e prejudicam a saúde e bem-estar dos professores na sala de aula, e atrapalham o seu processo de ensino.


O cenário apresenta ainda mais desafios quando a rotina educacional do educador é colocada em pausa e a educação passa a funcionar mediada pela tecnologia, afastando os alunos da escola em decorrência das medidas restritivas para frear a disseminação do coronavírus. De acordo com os respondentes da primeira etapa da pesquisa “Sentimento e percepção dos professores brasileiros nos diferentes estágios do coronavírus (COVID-19) no Brasil”, realizada pelo Instituto Península, classificaram, em uma escala de zero a cinco, como 2,16 o impacto do período em sua saúde mental, mostrando a necessidade de algumas atitudes para diminuir os níveis de ansiedade dos professores em virtude do atual cenário e suas consequências.


Dessa maneira, além de iniciativas que trabalham competências socioemocionais e desenvolvam o autoconhecimento dos estudantes, fazendo com que discutam, reflitam e entendam suas emoções e vontades, também é de suma importância atitudes semelhantes que aprovam o cuidado da saúde mental e controle das emoções dos professores. De acordo com alguns estudos, a síndrome de “burnout”, termo inglês relacionado ao esgotamento mental e físico pelo trabalho, já acomete inúmeros profissionais da educação há anos. Dentre algumas de suas fases, estão a necessidade de aprovação, o excesso de trabalho, mudanças de comportamentos, negação do problema e afastamento social.


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Autoconhecimento e Autocontrole

O ato de equilibrar a mente, controlar o corpo e as emoções vividas em salas de aula são essenciais para evitar e minimizar as chances dos professores de vivenciarem situações de esgotamento, depressão e consequentemente de ansiedade. Nesse aspecto, os professores precisam de condições melhores de trabalho e de uma valorização maior na carreira, tanto dos órgãos superiores quanto dos próprios alunos, que ambos consigam reconhecer tamanha responsabilidade e função dos professores na educação e formação de indivíduos para sociedade.

O autocuidado do professor em reconhecer e entender quais são as atitudes que devem ser tomadas e em quais momentos, é um processo de construção e reconstrução de crenças, hábitos e personalidade. O educador, como protagonista no âmbito profissional, deve separar algumas situações, mantendo o controle de si e da situação para preservar o ambiente e sua integridade. Dessa maneira, o pensamento e debates de estratégias sobre o assunto devem ser discutidos entre os representantes da rede pública em que o professor está lecionando, com o intuito de incentivar o assunto nas salas de aula e no ambiente escolar, visto que a escola pode ajudar nesse processo.

Tanto o autoconhecimento quanto o autocontrole, são competências socioemocionais que podem ajudar o professor no momento de elaborar os conteúdos que serão ministrados nas aulas, entendendo seus alunos e suas dificuldades com alguns assuntos. Além disso, tais competências tendem a liberar a paciência, empatia e conhecimento do professor na explicação com os alunos, ensinando-os diversas vezes até todos fixarem o conteúdo.


Identificação e Combate da ansiedade

Olhar para si mesmo, identificar e reconhecer que é preciso pedir ajuda e mudar algumas atitudes, é um ato de muita coragem e responsabilidade. Para alcançar e chegar em todos esses níveis, é primordial perceber que não é apenas o autoconhecimento que vai te ajudar, antes é preciso observar quais atitudes na sala de aula afetam o seu psicológico no restante do seu dia.


Algumas atitudes listadas abaixo, acontecem de forma recorrentes em ambiente escolar e afetam a saúde mental dos professores, sendo elas:


  • Acontecimento de uma situação inesperada.

  • Xingamentos e discussões entre os alunos.

  • Ausência de atenção sobre o conteúdo ministrado.

  • Desvalorização profissional.

  • Ausência de apoio institucional.

Tais atitudes causam sintomas significativos no organismo dos professores, sendo eles:

  • Dor de cabeça;

  • Nervosismo;

  • Insônia;

  • Irritação;

  • Ansiedade;

  • Alergia;

  • Falta de concentração;

  • Isolamento;

  • Desmotivação;

A importância de prevenir que tais situações aconteçam é de responsabilidade da rede pública, visando o bem-estar dos professores e principalmente dos alunos, que estão diretamente ligados com as consequências desses atos, tanto na atuação de alguns deles quanto na espera do aprendizado.



Ações de desenvolvimento integral do professor

Decorrente do atual cenário e das aulas estarem sendo virtuais, a saúde mental e o bem-estar dos professores estão sendo bastante afetados. Diante disso, algumas medidas para apoiar essa causa estão sendo feitas, uma delas por parte da EFAPE (Escola de Formação e Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação do Estado de São Paulo), no qual docentes da rede estadual paulista foram apresentados à Vivescer, iniciativa do Instituto Península que, em uma plataforma online e gratuita, possibilita formação do professor a partir de quatro jornadas de aprendizagem: propósito, emoção, corpo e mente.


Em outros estados, algumas medidas também estão sendo tomadas para a preservação e cuidado dos professores. Considerando a importância de prestar assistência e cuidados aos docentes, a Secretaria de Educação do Estado da Bahia criou o Programa de Atenção à Saúde e Valorização do Professor, que são ações voltadas ao cuidado e atenção com a saúde de todos os professores da rede pública estadual de ensino da Bahia.


Tais ações envolvem a melhoria de qualidade de vida, relações interpessoais, bem-estar psicossocial do educador, propostas de prevenção e promoção da saúde no ambiente de trabalho, acompanhamento de demandas prioritárias e proposição de diretrizes para a construção de uma política pública de atenção à saúde do professor.


Essas medidas são necessárias para a diminuição do estresse e ansiedade do professor, visando a preservação no ambiente escolar e pessoal, viabilizando seus cuidados através de práticas saudáveis. Diante do enorme papel do educador na sociedade, a saúde e cuidado destes são essenciais no desenvolvimento acadêmico e social de qualquer indivíduo.